Oferta apertada segura os preços da tilápia, enquanto frigoríficos recuam

Levantamento do Cepea aponta sustentação nos preços, recuo dos frigoríficos e queda nos embarques para o exterior

Oferta apertada segura os preços da tilápia, enquanto frigoríficos recuam

Os preços da tilápia seguiram em trajetória de alta durante abril, ainda sustentados por uma oferta restrita no mercado interno. Os dados são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), divulgados nesta quinta-feira, 14, e indicam que o movimento de valorização persistiu pelo segundo mês consecutivo, ainda que em ritmo mais contido do que o registrado em março.

A dinâmica da demanda em abril foi marcada por um comportamento distinto entre os diferentes canais de comercialização. Os frigoríficos apresentaram desaceleração nas compras, o que retirou parte do ímpeto de valorização observado nas semanas anteriores. Nas feiras livres, entretanto, o movimento foi contrário: a procura por tilápia manteve-se aquecida, com preferência dos consumidores por exemplares de maior peso, o que contribuiu para sustentar as cotações ao longo do período.

Esse desequilíbrio entre os canais evidencia uma característica relevante do mercado da tilápia no Brasil: a sensibilidade ao perfil do consumidor final. Enquanto os processadores industriais ajustam o ritmo de aquisição conforme margens e estoques, o varejo de proximidade tende a absorver o produto com menos oscilação, especialmente em períodos de alta no consumo de pescado.

No mercado externo, abril trouxe resultados menos favoráveis. As exportações de tilápia e de seus derivados registraram queda tanto no volume embarcado quanto na receita gerada, segundo o levantamento do Cepea. Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino do produto brasileiro, mas os embarques ficaram abaixo do patamar registrado no mesmo mês do ano anterior.

A retração nas vendas externas acende um sinal de atenção para o setor, especialmente num cenário em que o mercado interno já vinha absorvendo boa parte da produção nacional. A dependência de um único destino predominante amplia a exposição do produtor brasileiro a variações de demanda e política comercial no exterior, tornando a diversificação de mercados uma pauta cada vez mais estratégica para a cadeia produtiva.

Com a oferta ainda limitada e a demanda interna mostrando resiliência nas feiras livres, a tendência de curto prazo aponta para a manutenção dos preços em patamares elevados. No entanto, qualquer recuperação mais expressiva da atividade dos frigoríficos ou avanço na normalização da oferta tende a moderar as cotações. No campo externo, o desempenho dos próximos embarques será determinante para avaliar se a queda de abril representa um ajuste pontual ou o início de uma tendência de arrefecimento nas vendas ao mercado norte-americano.

  • Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

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