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Valor Bruto da Produção Agropecuária do Paraná deve ultrapassar R$ 200 bilhões em 2025

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Valor Bruto da Produção Agropecuária do Paraná deve ultrapassar R$ 200 bilhões em 2025
Resumo

• O VBP agropecuário do Paraná deve superar R$ 200 bilhões em 2025, impulsionado pela safra histórica de grãos e pela recuperação das principais cadeias produtivas.
• A soja e o milho safrinha lideram o avanço da agricultura, que deve ultrapassar R$ 81 bilhões, apesar de ajustes climáticos que afetaram parte das lavouras.
• A pecuária mantém forte expansão, com destaque para frangos, suínos e bovinos, reforçando a posição do Paraná como referência nacional em proteínas animais.
• A piscicultura, especialmente a produção de tilápia, cresce acima da média e amplia sua participação no VBP, revelando diversificação produtiva no Estado.
• Mesmo com sinais de atenção em algumas culturas, o cenário geral aponta para recomposição do agro paranaense e bases sólidas de crescimento para 2026.

O Paraná se prepara para encerrar 2025 como um dos protagonistas da economia agropecuária nacional. A combinação entre uma safra de grãos excepcional, o fortalecimento das cadeias de proteína animal e o avanço de atividades emergentes indica que o Estado deve superar, pela primeira vez, a marca de R$ 200 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP). O dado, projetado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), sinaliza não apenas um ciclo de recuperação após oscilações climáticas recentes, mas também a consolidação de um modelo produtivo cada vez mais diversificado e competitivo.

O VBP, indicador que expressa o valor total gerado pelas atividades agropecuárias dentro do território estadual, reflete a soma das lavouras, da pecuária e de outras cadeias vinculadas ao agronegócio. Em 2024, o Paraná havia registrado R$ 188,4 bilhões, demonstrando que, ao longo de um único ano, a dinâmica produtiva ganhou fôlego expressivo. A perspectiva de ultrapassar os R$ 200 bilhões em 2025 surge como um marco simbólico e econômico, reforçando a relevância do setor para a renda regional, para o planejamento público e para os investimentos privados.

Safra recorde de grãos impulsiona o avanço do VBP

Grande parte desse salto está associada ao desempenho agrícola, especialmente na soja e no milho da segunda safra. O volume colhido deve superar as estimativas anteriores e, aliado a preços relativamente estáveis, projeta um incremento superior a R$ 10 bilhões apenas nessas duas culturas. Assim, o valor gerado pela agricultura deve ultrapassar R$ 81 bilhões, consolidando o Estado como uma das principais fronteiras de produtividade do País.

Ainda que o clima de novembro tenha provocado ajustes — com episódios de frio, menor insolação e chuvas acompanhadas de granizo — a maior parte das lavouras segue em desenvolvimento satisfatório. Atualmente, 88% das áreas de soja são classificadas como boas, e, embora o atraso no desenvolvimento das plantas possa estender o ciclo e comprometer a janela ideal do milho safrinha, o cenário geral permanece positivo. Com atenção redobrada ao comportamento climático, a expectativa é de excelente colheita.

No feijão, a colheita inicia com produtividade um pouco abaixo do esperado, o que pode limitar o alcance das 200 mil toneladas previstas. A retração dos preços ao produtor e o resultado inferior ao da safra anterior pressionam o VBP da cultura, que caiu para R$ 2,2 bilhões, quase R$ 900 milhões a menos do que em 2024. Para o consumidor, entretanto, o movimento ajuda a manter a inflação de alimentos estabilizada.

Cadeias animais mantêm trajetória ascendente

Enquanto as lavouras sustentam a base do crescimento, a pecuária paranaense reafirma sua força. O conjunto formado por frangos, suínos, bovinos, leite e ovos deve alcançar R$ 66 bilhões em 2025, registrando um avanço superior a 10% em relação ao ano anterior. O desempenho está diretamente ligado ao aumento do volume produzido, à melhoria dos índices sanitários e à ampliação dos mercados compradores.

No segmento de carne suína, um divisor de águas ocorreu quando o Chile passou a adquirir, em 2025, lotes significativos da proteína produzida no Estado, totalizando mais de 346 toneladas. O reconhecimento sanitário como zona livre de febre aftosa sem vacinação abriu portas internacionais e, já para 2026, espera-se que o país vizinho se firme como um dos principais destinos da carne suína paranaense.

Na bovinocultura, a maior demanda externa reduziu a oferta de carne no mercado doméstico, elevando o preço da arroba para torno de R$ 322,50. O impacto se estende ao atacado: cortes de dianteiro e traseiro registraram altas em novembro, cenário que deve persistir devido ao consumo tradicionalmente mais intenso no fim do ano.

O Paraná também reafirma sua liderança nacional na avicultura. Entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil abateu quase 5 bilhões de frangos, sendo 1,711 bilhão originários do Paraná — 34% de todo o volume nacional. A produção estadual supera 3,7 milhões de toneladas e reforça a posição de destaque no mercado global.

A produção de ovos segue estável e em expansão moderada. O Brasil produziu 3,045 bilhões de dúzias até setembro, um crescimento de 6,9%. O Paraná respondeu por 154 milhões de dúzias e manteve a liderança absoluta nos ovos destinados à incubação, responsáveis por mais de um terço do total nacional.

Piscicultura ganha força e reforça a diversificação produtiva

Entre as cadeias emergentes, a tilápia reafirma sua trajetória ascendente. Em 2024, a piscicultura alcançou R$ 2,29 bilhões em VBP, com crescimento de 10,4% em relação ao ano anterior. A tilápia, sozinha, representa mais de 80% desse valor e vem sendo responsável por elevar a participação da aquicultura dentro do agro estadual. Desde 2011, sua contribuição ao VBP saltou de 1% para 4%, revelando uma curva de expansão superior à observada nas principais proteínas animais.

A evolução é resultado da profissionalização do setor, da expansão de frigoríficos especializados e da demanda crescente por proteínas alternativas, fatores que tendem a fortalecer ainda mais a cadeia nos próximos anos.

Cenário geral aponta para recomposição e bases sólidas para 2026

Além dos grandes grupos produtivos, culturas específicas como frutas têm registrado aumento nos preços médios, contribuindo para a ampliação do VBP. A soma dos resultados aponta para um ano de forte recomposição do desempenho agropecuário paranaense, recuperando perdas recentes e oferecendo sinais consistentes de expansão para 2026.

Ainda que algumas cadeias inspirem cautela — sobretudo pela variabilidade climática que marcou o último trimestre — o equilíbrio entre agricultura, pecuária e atividades emergentes compõe um quadro robusto. O Paraná entra em 2025 reafirmando sua força produtiva e fortalecendo as estruturas que sustentam seu protagonismo nacional no agronegócio.

  • Valor Bruto da Produção Agropecuária do Paraná deve ultrapassar R$ 200 bilhões em 2025

    Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.

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