Paisagismo
Zamioculca não sobrevive por acaso: veja o que realmente mantém a planta viva
Da drenagem ao excesso de cuidado, entenda o que compromete a resistência da espécie
Publicado
5 dias atrásem
Por
Mel Maria
Resistente, elegante e quase indestrutível — é assim que a zamioculca costuma ser descrita. Originária da África Oriental, a Zamioculcas zamiifolia ganhou espaço nos lares brasileiros justamente por tolerar pouca luz e períodos de seca. Entretanto, a fama de planta “que não morre” acaba sendo o primeiro passo para o erro. Quando os cuidados são mal interpretados, a espécie sofre em silêncio até apresentar sinais tardios, como folhas amareladas, manchas escuras ou hastes murchas.
Manter a zamioculca saudável exige compreender sua fisiologia. Diferente de muitas plantas tropicais, ela armazena água em rizomas subterrâneos, o que muda completamente a lógica de irrigação. Além disso, seu crescimento é naturalmente lento, e qualquer alteração brusca no ambiente pode comprometer seu desenvolvimento.
Luz adequada faz diferença, mesmo sendo planta de sombra
A zamioculca tolera ambientes com baixa luminosidade, porém isso não significa ausência total de luz. Ambientes escuros demais reduzem sua capacidade fotossintética e deixam a planta mais vulnerável ao enfraquecimento estrutural. O ideal é oferecer luz indireta abundante, próxima a janelas com cortinas leves ou em varandas protegidas.
Como explica a paisagista Renata Guastelli, “a zamioculca sobrevive em meia-sombra, mas prospera quando recebe luminosidade difusa constante. A falta total de luz compromete o vigor das folhas e reduz a resistência da planta”. Assim, posicionamento estratégico é mais importante do que simplesmente escolher um canto vazio da casa.
Por outro lado, a exposição direta ao sol forte pode queimar as folhas e provocar manchas irreversíveis. Portanto, o equilíbrio é o verdadeiro segredo.
Excesso de água é o inimigo número um
Se existe um fator que realmente faz a zamioculca morrer, ele atende pelo nome de encharcamento. Como seus rizomas funcionam como reservatórios naturais, a planta suporta períodos secos com facilidade. Entretanto, quando o substrato permanece úmido por muito tempo, ocorre o apodrecimento das raízes.
O engenheiro-agrônomo Eduardo Funari alerta que “a zamioculca prefere esquecer da rega a ser regada demais. O solo deve secar completamente entre uma irrigação e outra”. Isso significa que não existe frequência fixa: é preciso observar o ambiente, a estação do ano e a ventilação do local.
Durante o inverno, por exemplo, as regas podem ser bastante espaçadas. Já em ambientes mais quentes e ventilados, o intervalo diminui levemente, mas nunca ao ponto de manter o solo constantemente úmido.
Substrato drenante é indispensável
Ainda que a rega seja controlada, um substrato inadequado compromete todo o sistema radicular. A zamioculca exige solo bem aerado, com boa drenagem e presença de materiais que evitem compactação.

Misturas que combinam terra vegetal com perlita, areia grossa ou casca de pinus funcionam muito bem. Além disso, o vaso precisa ter furos eficientes no fundo. Sem drenagem, a água acumulada cria um ambiente anaeróbico que favorece fungos e bactérias.
Aliás, trocar o substrato a cada dois ou três anos ajuda a renovar nutrientes e manter a estrutura adequada para o crescimento saudável.
Cuidado com o excesso de adubação
Por ser uma planta de crescimento lento, a zamioculca não demanda fertilizações frequentes. Aplicar adubo em excesso pode causar acúmulo de sais no solo, queimando raízes e folhas.
Adubações leves, feitas na primavera e no verão, com formulações equilibradas, são suficientes para estimular novas brotações. Entretanto, insistir em fertilizações mensais intensas não acelera o crescimento — pelo contrário, pode enfraquecer a planta.
Nesse sentido, menos é mais. A espécie evoluiu em solos relativamente pobres, o que explica sua rusticidade.
Atenção às mudanças bruscas de ambiente
Mudanças repentinas de temperatura, correntes de ar frio e ambientes com ar-condicionado constante afetam diretamente a saúde da zamioculca. Embora seja resistente, ela aprecia estabilidade térmica e umidade moderada.
Ambientes muito secos podem deixar as folhas opacas e mais suscetíveis a pragas como cochonilhas. Por isso, manter ventilação adequada, sem exposição direta a correntes intensas, é essencial.
Além disso, quando a planta apresenta folhas amareladas isoladas, isso pode ser apenas parte do ciclo natural de renovação. Entretanto, se o amarelecimento for generalizado e acompanhado de odor desagradável no solo, o problema provavelmente está na drenagem.
Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.

