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Agro e crescimento regional: a estratégia da BrDU para alcançar R$ 1,2 bilhão em vendas
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Por
Claudio P. Filla
A dinâmica do agronegócio tem transformado o Centro-Oeste em um dos territórios mais estratégicos para expansão imobiliária no Brasil. É nesse cenário que a BrDU Urbanismo inicia um novo ciclo de crescimento, agora integralmente sob o controle da holding goiana JFG Construções e Participações. A recompra de 100% da operação foi acompanhada de um aporte de R$ 120 milhões e de uma meta clara: atingir até R$ 1,2 bilhão em Valor Geral de Vendas até 2027.
A movimentação não representa apenas uma reorganização societária, mas sim um reposicionamento estratégico. Fundada em 2010 e especializada em loteamentos residenciais e condomínios horizontais, a empresa já operou em oito estados e alcançou VGV anual de R$ 250 milhões em seu ciclo anterior. Agora, retorna ao controle total da holding que já havia sido sua sócia majoritária entre 2012 e 2018, porém com estrutura fortalecida e foco geográfico mais definido.
“Identificamos uma oportunidade. Os sócios queriam vender, nós já conhecíamos a empresa e a gestão da companhia”, afirma Gabriel Fortes, sócio da BrDU. “Mantivemos todo o pessoal e a estrutura, e crescemos ela. Gostamos do setor de urbanização, combina com a nossa visão de longo prazo.”
Além do reforço de capital, a empresa passou por rebranding, inaugurou nova sede corporativa em Goiânia e ampliou seu landbank, preparando-se para um ciclo de expansão mais concentrado. A liderança permanece com Fortes, ao lado do CEO Antenor Reis e da diretora administrativa e financeira Valéria Sahium, o que garante continuidade operacional e preservação do know-how acumulado.
Segundo Fortes, o modelo de atuação com capital próprio e visão patrimonial é especialmente adequado ao setor de loteamentos, cuja maturação é longa e regulatoriamente complexa. “Modelos industriais ou fundos com prazos curtos enfrentam dificuldades no setor. Nosso formato garante resiliência e perenidade”, afirma. Dessa forma, a empresa busca estabilidade para atravessar ciclos econômicos, algo crucial em um mercado fortemente influenciado por crédito, infraestrutura e crescimento populacional.
Centro-Oeste como eixo estratégico
Embora a BrDU mantenha presença em 13 cidades distribuídas por Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, São Paulo, Pará, Maranhão e Bahia, o foco passa a ser mais evidente no Centro-Oeste. A escolha não é aleatória. “Enxergamos uma economia pujante há muitos anos. Nos últimos 20 anos, o crescimento do PIB do Centro-Oeste brasileiro tem sido significativamente superior à média nacional, consolidando a região como um motor de expansão econômica alavancado pelo agronegócio”, afirma Fortes.
Enquanto o Brasil enfrentou períodos alternados de recessão e crescimento modesto, estados como Mato Grosso apresentaram expansão nominal superior a 1.230% no período. Esse dinamismo econômico, impulsionado pela produção agrícola e pela cadeia de proteína animal, tem gerado aumento de renda, crescimento populacional e, consequentemente, demanda habitacional qualificada.
Em Tangará da Serra (MT), por exemplo, a urbanizadora já desenvolveu quatro empreendimentos — Parque do Bosque, Parque da Mata, Reserva do Parque e Reserva do Parque 2 — que juntos somam 3,3 mil lotes e VGV acumulado acima de R$ 450 milhões. A valorização imobiliária registrada nesses projetos reforça o potencial regional, alcançando 180% no Parque da Mata e 160% no Parque do Bosque. Já a primeira fase da Reserva do Parque acumulou 105% de valorização, enquanto a segunda fase, lançada em novembro de 2024, registra crescimento de 32%.
A estratégia regional também varia conforme o perfil demográfico. No Mato Grosso, a companhia prioriza cidades acima de 30 mil habitantes, onde o crescimento populacional acompanha o avanço do agro. Já nos demais estados do Centro-Oeste, a análise recai sobre municípios com mais de 100 mil habitantes, capazes de absorver empreendimentos horizontais com infraestrutura consolidada.
Foco exclusivo no urbanismo horizontal
Apesar da atuação da holding JFG também no segmento de incorporações verticais em Goiânia, a BrDU mantém foco exclusivo no desenvolvimento urbano horizontal. “Buscamos áreas para loteamentos abertos e condomínios fechados. O foco da BrDU é somente urbanismo, não olhamos para incorporações verticais”, afirma Fortes. A decisão é estratégica e evita dispersão operacional, permitindo especialização em infraestrutura urbana, parcelamento do solo e criação de bairros planejados.
Com mais de 8 milhões de metros quadrados urbanizados, cerca de 200 quilômetros de vias pavimentadas e 1 milhão de metros quadrados de áreas verdes preservadas, a empresa já entregou 18 mil unidades ao longo de 15 anos. O VGV acumulado ultrapassa R$ 2 bilhões, consolidando a urbanizadora como um dos players relevantes no desenvolvimento de cidades médias.
Além da infraestrutura física, os novos projetos mantêm foco na classe média e na geração de valor local, integrando áreas de lazer, sustentabilidade e planejamento urbano estruturado. “Chegamos aos 15 anos com uma estrutura mais ágil, capitalizada e preparada para crescer de forma sustentável”, afirma Valéria Sahium.
Assim, ao alinhar capital paciente, conhecimento regional e a força econômica do agronegócio, a BrDU busca transformar crescimento agrícola em expansão urbana planejada, consolidando o Centro-Oeste como vitrine de um modelo que combina desenvolvimento territorial e visão patrimonial de longo prazo.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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