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Basf aposta em governança financeira para atrair capital privado ao agro
Companhia expande modelo de operações estruturadas para reduzir custo de risco e garantir retorno a investidores em cenário de juros altos
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Três opções de título:
1. Basf mira investidor de fora para financiar safra: entenda o modelo que reduz risco e amplia crédito
2. Operações estruturadas viram arma da Basf contra aperto no crédito rural
3. Basf aposta em governança financeira para atrair capital privado ao agro
Basf aposta em governança financeira para atrair capital privado ao agro
Companhia expande modelo de operações estruturadas para reduzir custo de risco e garantir retorno a investidores em cenário de juros altos
O crédito rural segue apertado. As taxas continuam pressionando a margem do produtor, e o alongamento de dívidas virou rotina na porteira. Nesse ambiente, a Basf decidiu ir além do papel tradicional de fornecedora de defensivos e sementes: agora, a multinacional alemã quer estruturar o próprio mercado de financiamento do agro brasileiro. A aposta está nas operações estruturadas, um modelo que conecta o campo ao mercado de capitais e reduz o custo do risco para quem investe.
Em entrevista à CNN Brasil Agro, Marcelo Batistela, vice-presidente da Basf Brasil Agro, deixou claro que a estratégia não é pontual. “Nossa intenção é continuar ofertando crédito com oportunidade de investir e mitigar o risco da atividade. É uma oportunidade que já exploramos e não vamos parar. Temos hoje a expectativa de avançar conforme a demanda cresce no mercado”, afirmou o executivo.
A empresa enxerga uma janela importante: com a perspectiva de queda nos juros ao longo de 2026, instrumentos financeiros mais sofisticados tendem a ganhar tração. O modelo funciona. A prova está nos números.
Governança como garantia de retorno
Em janeiro deste ano, a Basf captou R$ 1,4 bilhão por meio de um Fiagro-FIDC voltado ao financiamento da compra de insumos agrícolas. O fundo, gerido pela Opea e coordenado pelo Itaú BBA, registrou crescimento de 30% ao longo de 2025. Os recursos vieram da cessão de recebíveis das vendas da companhia para distribuidores, cooperativas e produtores. Ou seja: o dinheiro que entraria no caixa da Basf nos próximos meses foi antecipado e transformado em lastro para atrair investidores do mercado financeiro.
Esse tipo de estrutura exige mais do que apetite de risco. Exige governança robusta, transparência nos dados e capacidade de gestão de portfólio. Para Eduardo Gradiz, head de operações financeiras da Basf, o desafio é exatamente esse: construir confiança em um setor historicamente marcado por volatilidade climática e oscilação de preços. “Em um cenário de margens estreitas, ambiente de taxas de juros elevadas e dívidas prolongadas, as operações precisam de fortalecimento e governança para atrair novos investidores e gerar retorno da operação do agro em caixa”, destacou Gradiz.
O que muda porteira para dentro
A lógica é simples. O produtor precisa de crédito para plantar. A Basf precisa vender insumo. O investidor precisa de retorno previsível. As operações estruturadas conectam os três pontos com uma camada adicional de proteção: a mitigação de risco por meio de análise criteriosa de crédito, diversificação de carteira e monitoramento ativo das operações.
Batistela reforça que o acesso a esse tipo de financiamento é estratégico para a sustentabilidade da atividade. “O setor precisa ter acesso a um nível de crédito que consiga remunerar a atividade e garantir o retorno necessário para a continuidade dos investimentos. As operações estruturadas diminuem o custo de risco e geram retorno ao mercado. Sem investimento, não há produtividade e segurança para as captações”, explicou o vice-presidente.
Além disso, o modelo permite que a Basf libere caixa para reinvestir na operação, amplie a oferta de crédito aos clientes e ainda atraia capital de fundos de investimento, family offices e gestoras interessadas em exposição ao agronegócio sem precisar entrar diretamente no campo.
Fiagro-FIDC como porta de entrada
O Fiagro-FIDC Opea Agro Insumos, lançado em janeiro, é um exemplo prático de como essa engenharia financeira funciona. Os cotistas do fundo compram cotas lastreadas em recebíveis da Basf. Esses recebíveis vêm de vendas já realizadas, com prazo de pagamento definido. O risco de inadimplência é diluído pela diversificação da carteira e pela análise de crédito prévia dos clientes. O retorno vem da taxa pactuada, que tende a ser atrativa em comparação com renda fixa tradicional, especialmente em um cenário de queda de juros.
A estrutura foi assessorada pelo escritório Pinheiro Neto Advogados, o que reforça o nível de sofisticação jurídica e compliance exigido nesse tipo de operação. Não é um contrato de gaveta. É mercado de capitais aplicado ao agro.
O que vem por aí
Gradiz afirma que a empresa já colheu resultados positivos neste modelo e pretende avançar no próximo ano. “Tivemos sucesso em 2025 e planejamos continuar ofertando estruturas de crédito em 2026. Estamos em um cenário desafiador, mas mais positivo do que no ano passado. Nosso papel vai além de oferecer crédito: queremos construir um mercado cada vez mais sólido para atrair investidores qualificados”, concluiu.
A expectativa é de que outras empresas do setor sigam o mesmo caminho. Afinal, o modelo resolve dois problemas ao mesmo tempo: desafoga o balanço das fornecedoras de insumos e oferece ao produtor condições de financiamento que não dependem exclusivamente dos bancos tradicionais ou dos recursos públicos, cada vez mais escassos.
O mercado sentiu o movimento. Agora, resta saber se a demanda por governança e retorno previsível será suficiente para consolidar as operações estruturadas como o novo padrão de financiamento do agro brasileiro.
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