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Plantas da Mel

Dinheiro-em-penca: a pequena planta que vale muito mais do que o nome sugere

Fácil de cultivar, rápida no crescimento e versátil no uso — conheça a Callisia repens de um jeito diferente

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planta dinheiro em penca

Quando a Callisia repens chegou na Mel Garden, eu mal imaginava que ela ia se tornar uma das plantas mais pedidas da floricultura. Todo mundo que passa pela loja para, olha, e pergunta: “que planta é essa?”. E não é pra menos.

A tostão, como a gente chama aqui no sul, tem um charme difícil de explicar só com palavras. É pequena, rasteira, com aquelas folhinhas bicolores (verde por cima, roxo por baixo) e cresce de um jeito quase bagunçado, esparramando para os lados como quem não quer saber de limite.

A origem que poucos contam

A Callisia repens é uma planta nativa da América Central e do Sul, e está completamente adaptada ao clima brasileiro. O nome popular varia bastante dependendo da região: tostão, dinheiro-em-penca, pulinha, covinha. Aqui na floricultura, eu uso “tostão” porque é o nome que as clientes mais reconhecem, especialmente as de mais idade, que já tinham a planta na casa da avó sem saber o nome científico.

Aliás, essa memória afetiva é uma das coisas que mais me surpreende quando trabalho com ela. Não é raro a pessoa chegar aqui com uma foto antiga, dizer “minha mãe tinha essa planta nos anos 80”, e sair com um vasinho na mão e um sorriso no rosto. A tostão carrega história.

Por que ela cresce tanto?

A característica mais marcante da Callisia repens é o crescimento horizontal. Ela lança hastes rasteiras que se fixam no solo com facilidade, formando uma cobertura densa e uniforme. Contudo, esse crescimento não é invasivo no sentido agressivo da palavra. Ele é controlável, o que a torna uma excelente opção para bordaduras, jardineiras suspensas e vasos grandes onde ela pode “derramar” pelas laterais.

Planta tostão rosa

Aqui na Mel Garden, eu uso muito a tostão em composições com plantas de maior porte. Ela funciona como um tapete vivo que preenche espaços, cobre substratos e ainda adiciona cor. A combinação com samambaia, por exemplo, deixa qualquer cantinho de casa aconchegante.

O crescimento acelerado também significa uma coisa muito prática: é fácil de propaga e basta cortar uma haste com dois ou três nós, colocar em água ou diretamente no substrato úmido, e em poucos dias você tem uma nova muda enraizada. Eu faço isso constantemente aqui na floricultura e sempre dá certo.

Sol, sombra e tudo no meio

Uma das perguntas que mais recebo é sobre luminosidade. A tostão é versátil nisso, mas tem uma resposta clara: ela tolera sombra, mas floresce na meia-sombra. Em ambientes internos com boa iluminação indireta, ela se mantém bonita e compacta. Já em locais muito escuros, as hastes ficam alongadas e a coloração roxa, que é o grande charme da planta, perde intensidade.

Aqui em Curitiba, onde o inverno é frio e os dias nublados são frequentes, eu sempre oriento as clientes a deixar a tostão perto de janelas voltadas para o norte ou leste. Assim ela pega luz sem sofrer com o sol direto do meio-dia, que em dias quentes pode queimar as folhinhas mais novas.

Além disso, a planta responde muito bem ao cultivo em ambientes internos climatizados, desde que a rega seja feita com critério.

Rega: o único ponto que pede atenção

Se tem uma coisa que a tostão não perdoa, é excesso de água. O substrato encharcado apodrece as raízes rápido, e aí não tem recuperação fácil. Por isso, a minha regra aqui na floricultura é sempre a mesma: coloque o dedo no substrato antes de regar. Se estiver úmido, espere. Se estiver seco a um centímetro de profundidade, regue com moderação.

Dinheiro-em-penca: a pequena planta que vale muito mais do que o nome sugere

Ah, em vasos sem furo de drenagem, eu nem coloco a tostão, já que geralmente ela morre. Prefiro orientar todos os cliente a escolher um vaso adequado, do que correr o risco de perder a planta por um detalhe que podia ter sido evitado.

No verão, a frequência de rega aumenta, especialmente para plantas em varandas expostas ao vento. No inverno curitibano, a gente chega a regar a cada dez, doze dias sem problema nenhum.

A poda que ninguém lembra de fazer

Poucos falam sobre isso, mas a poda é o que mantém a tostão bonita e densa por mais tempo. Com o crescimento acelerado, as hastes mais antigas tendem a ficar lenhosas e menos frondosas. A solução é simples: cortar essas hastes mais velhas rente ao vaso, estimulando a planta a lançar novos brotos da base.

Eu costumo fazer isso na entrada da primavera, quando a planta já está saindo do ritmo mais lento do inverno e pronta para crescer com força. O resultado aparece em poucas semanas: a planta fica mais cheia, mais colorida e com aquele aspecto de quem acabou de ganhar uma nova vida.

As hastes cortadas, aliás, não vão para o lixo. Vão para a água, viram mudas, e em dois meses estão prontas para vender ou presentear. Na Mel Garden, a gente faz isso com frequência. A tostão é generosa assim.

O mito da sorte e o que eu acho disso

Não dá para falar de tostão sem mencionar a fama de planta da sorte e da prosperidade. O nome “dinheiro-em-penca” não é à toa. Existe uma crença popular, especialmente forte no interior do Brasil, de que ter a planta em casa atrai abundância financeira.

Dinheiro-em-penca: a pequena planta que vale muito mais do que o nome sugere

Eu não sou de misticismo, mas também não vejo razão para descreditar uma crença que faz as pessoas se conectarem com o jardim. Se a tostão traz ou não sorte, cada um decide por si. O que posso dizer com certeza é que ela traz beleza, cor e leveza para qualquer ambiente, e isso já é motivo suficiente para tê-la por perto.

Aqui na floricultura, nos meses de início de ano, a procura pela tostão dobra. Janeiro e fevereiro são os meses do “quero começar o ano com a casa florida e com boas energias”. E a tostão está sempre lá, pronta para cumprir esse papel com toda a sua despretensão característica.

Toxicidade: o alerta que não pode ficar de fora

Uma informação que eu sempre dou antes de fechar qualquer venda: a Callisia repens pode causar dermatite de contato em cães e gatos, especialmente em animais com pelagem mais fina. O contato prolongado com a planta pode provocar irritação na pele do animal.

Isso não significa que a planta é perigosa, mas significa que ela precisa estar fora do alcance dos pets. Em varandas com grade ou em prateleiras altas, o risco é mínimo. Contudo, para quem tem animal com acesso livre ao espaço da planta, vale repensar o posicionamento.

Para crianças, a planta não representa risco relevante de toxicidade, mas o contato com a seiva em pele sensível pode causar leve irritação. Nada que um bom senso básico não resolva.

O que mais me encanta nela

Depois de anos trabalhando com plantas na Mel Garden, aprendi que as espécies mais queridas raramente são as mais raras ou as mais caras. São as que entram fácil na rotina das pessoas, que crescem sem dramas, que sobrevivem a uma semana de esquecimento e que ficam bonitas em qualquer canto.

Dinheiro-em-penca: a pequena planta que vale muito mais do que o nome sugere

A tostão é exatamente isso. Ela não exige atenção diária. Não precisa de fertilizante elaborado, nem de substrato especial. Cresce num vaso simples, numa jardineira de varanda, numa composição de jardim ou dentro de casa numa prateleira com boa luz. E faz tudo isso com uma elegância discreta que poucas plantas conseguem.

Para quem está começando no mundo das plantas, a tostão é um ponto de partida seguro e recompensador. Para quem já tem experiência, ela é aquela planta que nunca sai da lista porque sempre tem um espaço novo onde ela pode se encaixar perfeitamente.

  • Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.

    ​Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.