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Agro

Indústrias citrícolas encerram moagem com volume 95% processado e preço em queda de 12%

Safra 2025/26 do cinturão paulista e do Triângulo Mineiro está nas últimas toneladas. Variedades tardias dominam o campo, mas retomada só acontece entre abril e maio

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Indústrias citrícolas encerram moagem com volume 95% processado e preço em queda de 12%

A temporada acabou antes do previsto. As indústrias citrícolas do cinturão de São Paulo e Triângulo Mineiro estão encerrando a moagem da safra 2025/26 com praticamente todo o volume já processado, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O que resta no campo são as variedades tardias, mas o volume disponível é residual.

Muitas plantas industriais já reduziram o ritmo desde o início de fevereiro. Das que seguem operando, uma delas está recebendo os últimos contratos e processando apenas o estoque próprio que sobrou. O mercado sentiu o golpe.

Menos de 5% no pomar

O último levantamento do Fundecitrus, divulgado no final de janeiro, indicava que restavam 13% da safra total estimada para colheita. Passado quase um mês, o Cepea projeta que esse índice já caiu para menos de 5% neste fim de fevereiro. A matemática é simples: o que tinha para colher, colheu.

Agora, o cinturão citrícola entra em compasso de espera. A retomada do processamento só deve acontecer entre abril e maio, quando começam a entrar as frutas temporãs e as primeiras variedades precoces da safra 2026/27. Até lá, é janela vazia de moagem.

Preço despenca no industrial, mesa segura

A cotação da laranja industrial sentiu o peso do final de temporada. O indicador Cepea registrou, na quinta-feira (26/2), R$ 32,50 por caixa de 40,8 quilos. Queda de 11,88% desde o início do mês. É o movimento típico de fim de safra: volume reduzido, mas demanda também em baixa, já que as indústrias estão praticamente paralisadas.

Por outro lado, a laranja-pera destinada ao consumo de mesa mostrou resiliência. O preço médio estava em R$ 42,40 a caixa, com alta de 2,61% no acumulado de fevereiro. A explicação está na porteira para dentro: “O mercado de mesa responde mais rápido à escassez de oferta, especialmente quando a qualidade da fruta está boa e a demanda do varejo continua aquecida”, explica um analista de mercado do Cepea.

Logística e planejamento já olham para 2026/27

Com o encerramento antecipado, produtores e indústrias já ajustam o planejamento para a próxima temporada. A expectativa é de que o volume da safra 2026/27 seja superior ao desta que está terminando, mas muito vai depender do clima nos próximos meses e da sanidade dos pomares.

Aliás, o momento de parada nas indústrias é estratégico para manutenção de equipamentos e renegociação de contratos. “Esse intervalo entre safras permite que as usinas façam os ajustes necessários e se preparem para receber um volume maior de frutas nas próximas semanas”, destaca um técnico do Fundecitrus.

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