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Natureza

Pitaya desponta como a próxima estrela global após o auge do pistache

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Não há como ignorar o impacto que o pistache exerceu sobre a indústria de alimentos nos últimos anos. A semente verde, antes restrita a nichos específicos, tornou-se sinônimo de sofisticação e inovação gastronômica, colorindo vitrines, perfumando cafés e protagonizando receitas que iam de panetones a chocolates artesanais. Entretanto, se 2025 foi marcado pela consolidação do pistache como tendência mundial, os sinais para 2026 indicam uma mudança de rumo — e ela vem acompanhada de tons vibrantes de rosa e amarelo.

Segundo o Global Taste Charts, guia elaborado pela empresa irlandesa Kerry com base em análises de cientistas, especialistas em aromas e consumidores, a pitaya surge como o próximo grande destaque da indústria alimentícia global. O relatório descreve o movimento como reflexo de uma busca crescente por sabores ousados e refrescantes, capazes de redefinir a inovação especialmente no setor de bebidas.

“A ascensão é mais do que uma tendência. É uma prova do apetite global por sabores ousados e refrescantes que estão redefinindo a inovação em bebidas. O que começou com raízes latino-americanas conquistou a imaginação de marcas ao redor do mundo”, aponta o documento.

Da febre do pistache ao frescor da pitaya

O contraste entre os dois ingredientes ajuda a explicar essa transição. Enquanto o pistache representa cremosidade, textura e indulgência, a pitaya se destaca pela leveza, pelo frescor e, sobretudo, pelo impacto visual. Entre 2023 e 2025, os lançamentos de produtos que utilizam a fruta como ingrediente cresceram 17% globalmente, com maior presença em bebidas voltadas ao verão.

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Além disso, preparações alcoólicas, cafés especiais e doces contemporâneos passaram a incorporar o sabor delicado e levemente adocicado da fruta. O movimento, que começou com maior força na América Latina em 2021, expandiu-se rapidamente para a Europa e Ásia. Apenas no último ano, foram registradas 170 novidades de alcance global com a pitaya como protagonista.

Se no Brasil o pistache depende integralmente da importação — com volumes que quase quintuplicaram em poucos anos —, a pitaya apresenta um cenário distinto. A fruta já possui produção nacional consolidada, o que pode favorecer sua incorporação em larga escala pela indústria alimentícia.

Pitaya no Brasil: adaptação e potencial produtivo

Por pertencer à família dos cactos, a pitaya demonstra excelente adaptabilidade a climas quentes. Ainda assim, seu cultivo não se restringe a regiões áridas. A fruta também se desenvolve bem em áreas tropicais e subtropicais, o que explica sua expansão no Sul e Sudeste brasileiros, regiões que concentram cerca de 80% da oferta nacional.

Além da versatilidade agrícola, a pitaya oferece diversidade sensorial. A variedade de polpa rosa chama atenção pela intensidade da cor e pela presença de antioxidantes como o licopeno. Já a polpa branca apresenta sabor suave e menor teor calórico, enquanto a versão amarela se destaca pelo aroma mais marcante e leve acidez. Essa multiplicidade amplia as possibilidades de aplicação culinária, desde drinques sofisticados até sobremesas autorais.

Bebidas, confeitaria e inovação sensorial

O setor de bebidas tem sido o principal catalisador da ascensão da fruta. A combinação entre coloração vibrante e sabor refrescante atende à demanda por experiências visuais e sensoriais mais intensas, especialmente entre consumidores jovens. Entretanto, a confeitaria contemporânea também começa a explorar a pitaya como alternativa a ingredientes já saturados.

O próprio relatório destaca que o movimento não se limita a uma moda passageira, mas integra um processo mais amplo de valorização de ingredientes tropicais e latino-americanos. Assim, a fruta que antes figurava como exótica passa a ocupar posição estratégica na inovação global.

Aliás, a presença crescente da pitaya na indústria internacional pode gerar efeitos diretos na cadeia produtiva brasileira. Com oferta local estruturada e condições climáticas favoráveis, o país tem potencial para se tornar protagonista não apenas no consumo, mas também na exportação da fruta.

Entre a exuberância visual e o perfil leve de sabor, a pitaya reúne atributos que dialogam com a busca contemporânea por frescor, naturalidade e impacto estético. Por isso, ao que tudo indica, a fruta tropical pode assumir o posto de novo símbolo gastronômico mundial, sucedendo o pistache em um mercado cada vez mais atento às tendências sensoriais e sustentáveis.

  • Pitaya desponta como a próxima estrela global após o auge do pistache

    Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.

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